Quando falamos em prevenção de perdas, tendemos a olhar primeiro para o número mais óbvio: o custo do produto vencido. Mas esse é apenas o começo da conta. Para entender o real impacto da perda por validade, é preciso olhar mais a fundo — e enxergar os custos indiretos que ela carrega junto.
Um produto perdido por vencimento não representa apenas o valor daquele item na prateleira. Ele carrega consigo uma série de recursos que já foram investidos ao longo de toda a cadeia — e que se perdem junto com ele.
Transporte: uma cadeia logística usada à toa
O primeiro custo indireto, e talvez o mais evidente, é o transporte. Todo produto percorre um caminho logístico do CD até a loja — combustível, veículo, tempo de rota, mão de obra do transporte.
Quando esse produto chega à loja e é descartado por vencimento, toda essa estrutura logística foi utilizada sem necessidade. Vale a pena pensar: quantos desses mesmos espaços de transporte poderiam estar sendo ocupados por produtos com real potencial de venda, em vez de um item que terminaria no descarte?
Descarte e destinação correta
O segundo custo indireto, especialmente relevante em farmácias, é a destinação apropriada dos produtos vencidos. Incineração, envio a aterros sanitários específicos, reciclagem de embalagens — os processos variam conforme a legislação de cada cidade, mas em todos os casos representam um custo adicional que precisa ser monitorado.
Esse é um gasto que muitas operações não acompanham de perto, justamente por não estar diretamente ligado ao produto em si, mas ao processo de descarte que ele exige.
Mão de obra: tempo investido sem retorno
A mão de obra é parte essencial de qualquer processo no varejo — mas é importante ressaltar quanto desse tempo é dedicado a produtos que não geraram nenhuma venda. Conferência, reposição, retirada da gôndola, registro da perda: cada uma dessas etapas consome tempo de equipe.
Esse indicador é mais difícil de medir do que o custo direto do produto, mas o processo é visível na rotina da loja — e só é reduzido quando as próprias perdas diminuem.
Tempo de gestão
Da mesma forma que a mão de obra é investida, também é investido tempo para garantir que o produto seja exposto e efetivamente vendido. Processos de gestão de validade e de estoque mais eficientes permitem ao lojista uma economia real de tempo e de mão de obra — recursos que podem ser direcionados para atividades que geram venda, em vez de correção de perdas.
Espaço na área de vendas
Com o crescimento do sortimento e de novas categorias, o espaço na área de vendas está cada vez mais concorrido — e cada vez mais analisado sob a métrica de vendas por metro quadrado.
Um produto exposto que acaba sendo descartado por vencimento ocupou, durante todo esse tempo, um espaço que poderia ter sido destinado a um item com maior potencial de venda — ou que geraria mais satisfação para o cliente.
Negociações e relacionamento com fornecedores
Por fim, a perda por vencimento também afeta as negociações com fornecedores e marcas. Espaços internos de loja, anúncios e acordos comerciais são construídos com base em performance de venda — e produtos que não giram, além de gerar perda direta, comprometem o argumento de negociação da rede.
Olhar além do óbvio
O custo do produto perdido é apenas a parte visível de um problema bem maior. Transporte, descarte, mão de obra, tempo de gestão, espaço de loja e relacionamento com fornecedores são custos indiretos que, juntos, tornam a perda por vencimento um problema muito mais estratégico do que parece à primeira vista.
Entender essa cadeia completa é o primeiro passo para tratar a prevenção de perdas como o que ela realmente é: uma alavanca direta de redução de custos e aumento de lucro para a operação.
Quer entender melhor onde estão os custos indiretos da perda por vencimento na sua rede? Entre em contato conosco.
